As cinco regras básicas dos programas de aceleração

Na Kyvo, utilizamos metodologias e estratégias da aceleradora americana tropicalizadas para o nosso contexto

O ano está só começando e a caçada de empreendedores e investidores por novas oportunidades, também. Após um ano recorde em termos de fusões e aquisições envolvendo startups, a expectativa para 2017 é de no mínimo a manutenção do mesmo ritmo. Algo que parece bastante factível, levando em conta alguns anúncios importantes já feitos neste início de janeiro, como o aporte de US$ 100 milhões na 99. Da nossa parte, estamos dando os primeiros passos de uma parceria promissora com a GSVlabs, uma das aceleradoras mais importantes do Vale do Silício.

Pensando em facilitar a vida do empreendedor, compilei neste post as cinco regras básicas para ser bem sucedido em programas de aceleração de empresas. Além da minha vivência, reúno aqui aspectos importantes debatidos em inúmeras conversas com investidores experientes em startups e dicas do livro Accelerate: Founder Insights Into Accelerator Programs, de Matt Cartagena e Chris Dowdeswell.

Antes de entrarmos efetivamente nas dicas, é importante deixar claro as razões pelas quais as empresas se beneficiam de um programa de aceleração. Faço minha a resposta de Pat Riley, diretor-executivo da Global Accelerator Network, aceleradora que já viabilizou US$ 4 bilhões em investimentos em startups. “O poder de um programa de aceleração está no agrupamento de empresas, empreendedores, mentores, investidores e prestadores de serviços em um único ambiente. É como um MBA de 3 meses onde a startup termina com financiamento, sólida mentoria e um produto mais maduro.”

Nós da Kyvo, que representamos a GSVlabs no Brasil, utilizamos metodologias e estratégias da aceleradora americana tropicalizadas para o nosso contexto, além do suporte de seus mais de 170 mentores, para impulsionar os empreendedores nacionais.

Agora sim vamos as dicas:

1 – Mostre desde o início que você sabe o que está fazendo: uma ótima aplicação em uma programa de aceleração tem um vídeo demo do produto e geralmente mostra muito além do que se pergunta no formulário de cadastro. Acredito bastante na filosofia de trabalho do professor Clayton Christensen, da Harvard Business School, que foca mais nas necessidades dos consumidores do que no desejo das empresas. Por isso, no vídeo, comece falando sobre a tarefa que as pessoas (usuários ou consumidores) estão tentando resolver, depois mostre como sua empresa entende esta pessoa, fale sobre como pensa em resolver a demanda dela, o tamanho deste mercado, o progresso de sua solução e como será sua adoção pelo usuário. É importante mostrar em que ponto você está no momento. Sinceridade e clareza dos indicadores serão as bases para um excelente relacionamento com os mentores.

2 – O TIME é melhor que a ideia. Não existe uma “nova ideia”. Uma boa ideia é uma combinação de ideias ruins e uma excelente ideia é uma combinação de boas idéias, como mostra este vídeo de Steven Johnson, autor do best seller “De Onde Vêm as Boas Ideias”. Para tirar o máximo de proveito de um programa de aceleração a capacidade de execução do TIME é o que importa. É como um carro de corrida, que ao iniciar um grand prix, precisa de suas engrenagens testadas, ajustadas e rodando perfeitamente. O ideal é que a fase de “namoro” dos sócios já tenha passado e o “casamento” entre os mesmos esteja em perfeita harmonia.

3 – Tenha um TIME com habilidades complementares. Ainda usando a metáfora do carro de corrida, é importante que o TIME seja uma engrenagem onde cada um tenha uma função que apoie o outro. Se seu produto é um aplicativo, você deve ter um chefe de tecnologia que preferencialmente seja sócio da empresa. Um investidor uma vez me disse que conversou com uma startup que desejava criar um App. A ideia estava bem fundamentada sobre a tarefa que iriam resolver, o mercado era promissor, havia grande possibilidade de escalabilidade, entre outros fatores favoráveis. No entanto, os sócios eram três publicitários com a mesma formação e, portanto, habilidades muito similares. Por conta deste fator não receberam o investimento. Mais que formação, ter habilidades complementares é de suma importância no TIME.

4 – Seja proativo e se envolva com a rede de mentores e gestores do programa de aceleração. Seu maior asset ao participar de um programa desse tipo não é o suporte financeiro, é o relacionamento. Desde o primeiro dia trabalhe para se relacionar com os participantes, gestores e mentores do programa. Mas atenção: saber ouvir um feedback, sobretudo os negativos, é essencial. Quando recebê-lo, avalie o cenário, questione junto ao seu time as causas do problema e veja como o feedback pode ajudar a encontrar uma solução. Esta última deve ser implantada de forma rápida e barata, sempre acompanhada de análise de resultados. Leve os indicadores do seu resultado para uma nova conversa com os mentores. Dessa forma todos verão que o seu time é capaz de ouvir e agir de forma estruturada, o que conta muitos pontos em um programa de aceleração.

5 – KPI (indicadores-chave de performance, na sigla em inglês) é fundamental: em nosso programa de aceleração da GSVlabs Brasil, esses indicadores são definidos desde a primeira semana. Tratam do número de clientes, da receita bruta (se houver), além de índices de tração, retenção e resultado. Apesar de parecerem simples, o conjunto de execução de todos eles durante o programa é que fará a diferença. Pense que eles são simples também para os demais participantes. Lembra do grand prix? Pois bem, muitas vezes eles são definidos por milésimos de segundos. E é assim que você precisa encarar um programa de aceleração.

Artigo publicado no portal Startse.

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